As nuvens alaranjadas do poente iluminam tudo com o encanto da nostalgia: mesmo a guilhotina. [Kundera]

Março 04, 2008

M de muleta

É muito cedo para condenar ao fracasso o embrionário Movimento Esperança Portugal, de Rui Marques, que nos próximos meses pretende reunir as 7500 assinaturas necessárias para se transformar num partido político. É cedo porque ainda não lhe conhecemos as ideias nem as pessoas. Nem a postura.

Mas, convenhamos, os primeiros sinais não são muito prometedores. O MEP pretende situar-se ao extremo-centro e, diz Rui Marques, “fazer pontes”. Talvez queiram ser a muleta para coligações com PS ou PSD; o MEP seria assim um parceiro adaptável à esquerda e à direita, com posições elásticas na hora de negociar com um ou com outro. Pragmatismo sem grandes pruridos de origem programática – deve ser o ar do tempo…

À primeira vista, dir-se-ia haver espaço para um partido assim, uma vez que existe um imenso eleitorado flutuante em Portugal (aliás, onde é que não existe?). Tal seria o mercado-alvo para o MEP, juntamente com os descontentes (essa categoria supernova que Alegre, aparentemente, julga encabeçar). Mas não será certamente sem programa – o que se chama um programa político – que se disputa aquela massa gigantesca e particularmente exigente de eleitores.

1 comentários:

Anónimo disse...

Tens toda a razão, Bruno. Mas lembro-me de dois partidos do extremo centro, a ASDI e o PRD, que mesmo sem programa definido lograram arrecadar uma data de votos. A este movimento o que falta não são tanto as ideias: essas copiam-se facilmente dos partidos do centro. Falta é um Ramalho ou um Sousa Franco para encabeçar as hostes... Ou um Alegre, quem sabe.

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